22 junho 2010

A OPOSIÇÃO NACIONAL E OS VESGOS

Temos assistido à descarada manipulação que a esquerda, marxista encenou com a morte do Prémio (ig)Nobel da Literatura, em si mesmo mais uma criação do «aparelho cultural» comunista que já muito antes de 1974 assentou arraiais na Cultura portuguesa.

Nem com a morte do genial Miguel Torga assistimos a tal coisa, para mais agora com o detalhe de se vociferar contra a ausência do Presidente da República no funeral de um escritor que foi politicamente laureado com o Nobel e com o Prémio Camões. Um berreiro de protestos histéricos contra a ausência daquele que promulgou o “casamento” gay de forma a (im)pressionar a opinião publicada, talvez a preparar a entrada de Saramago no Panteão Nacional, dentro de um ano.

Curiosa e coincidentemente, o grupo parlamentar do PS propunha-se apresentar um voto de pesar assinado por doze signatários em 15 do corrente mês. A verdade é que tal moção não foi apresentada à Assembleia da República devido aos abjectos protestos do PC e do BE. Negaram a aprovação da mesma justificando que António Manuel Couto Viana teria combatido «ao lado das tropas nacionalistas, na guerra civil de Espanha».

Assim mesmo, nem mais nem menos. Os farejadores leninistas e trotskistas descobriram – sabe-se lá onde – que Couto Viana «esteve» na guerra civil espanhola. E se o tivesse feito, qual era o problema? Já esqueceram o testemunho de tantos «intelectuais comprometidos», de todos os «lados»?

Ora tendo a guerra civil de Espanha durado de 18 Julho de 1936 a 1 de Abril de 1939 e António Manuel Couto Viana nascido a 24 de Janeiro de 1923, a pergunta que a Oposição Nacional faz é esta: como conseguiu o adolescente português participar no conflito armado do país vizinho com a idade de 13 ou 16 anos?

De salientar o silêncio cumplice do PSD e do CDS/PP sobre esta questão. Igualmente o do candidato à Presidência da República, o poeta Manuel Alegre, conhecido por Manuel de Argel que afirma bem alto que «nem a ele nem à cultura o calam». Pois, o Alegre, tristemente calou-se muito caladinho como se nada fosse com ele nem com os seus amigalhaços do PC e do BE.

Ficámos assim: para um traidor que defendia o Iberismo, sai Prémio Camões e luto nacional. Para Couto Viana, o silêncio por razões sectárias e não literárias!

Tenham vergonha, seus ignorantes!

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DAQUI A POUCO, NAS BANCAS...

O fartar vilanagem dos gastos com os "meninos de ouro" da bola, a incontornável vuvuzela, o estadão do funeral do "nabiça daninha" (=saramago) os desejos de controle do vosso Sócrates mas sobretudo a sentida e merecida homenagem ao nosso muito querido António Manuel Couto Viana.
Tudo para ler, já daqui a bocado...

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09 junho 2010

PARTIU O NOSSO POETA...

Nenhuma notícia poderia ser pior na véspera de um 10 de Junho que ele tanto amava. Morreu ontem o nosso António Manuel Couto Viana.
Paz à sua alma!
Lembrá-lo só é possível através de um dos seus magistrais poemas.

É preciso ficar aqui, entre os destroços,
E cinzelar a pedra e recompor a flor.
É preciso lançar no vazio dos ossos
A semente do amor.

É preciso ficar aqui, entre os caídos,
E desmontar o medo e construir o pão.
É preciso expulsar dos cegos dias idos
A insónia da prisão.

É preciso ficar aqui, entre os escombros,
E libertar a pomba e partilhar a luz.
É preciso arrastar, pausa a pausa, nos ombros,
A ascensão de uma cruz.

É preciso ficar aqui, entre as ruínas,
E aferir a balança e tecer linho e lã.
É preciso o jardim a envolver as oficinas:
É preciso amanhã.

in “Nado Nada”, 1977.

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