31 julho 2009

PELO MUNDO WAGNERIANO

No passado dia 26, Domingo, a produção de "Os Mestres Cantores de Nuremberga" encenada por Katharina Wagner, bisneta do célebre compositor Richard Wagner, foi generosamente assobiada pelo público no final da apresentação, no mítico Festival de Bayreuth (Alemanha). Longe de ser uma estreia pois já em 2007, outra produção de Katharina Wagner para o festival foi igualmente assobiada pelo público, embora bem recebida pela crítica na imprensa (o que determinará esta diferença?).

Na produção de Domingo, a liga de cantores na qual se centra o enredo da ópera foi transformada numa moderna reunião de artistas (encenadores, realizadores de cinema, etc.), cabendo o papel do jovem cavaleiro Walter a um "artista" de graffiti.
Recorde-se que na sequência da saída do neto do genial compositor, e após várias polémicas relativas à sucessão, o conselho do evento acabou por entregar a direcção conjuntamente às duas meias-irmãs. Todavia, enquanto Eva Wagner-Pasquier é uma pessoa discreta e defensora da manutenção da tradição, Katharina pretende personificar um novo rosto, "ultra-moderno", de Bayreuth, e as "modernices" no mundo wagneriano pagam-se caras...

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26 abril 2008

A SUCESSÃO EM BAYREUTH

Há cerca de um ano escrevi-vos sobre o assunto num postal a que chamei "No melhor pano caí a nódoa", sobre a complexa sucessão de Wolfgang Wagner em Bayreuth, então, como agora, envolta em polémica ao melhor estilo dramático da família.
Três candidaturas possíveis, todas bisnetas do genial Mestre de Bayreuth: a de Nike Wagner (nascida no ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial), directora das ‘Pèlerinages’ a Kunstfest Weimar e filha do antigo director de Bayreuth Wieland Wagner e de duas filhas de Wolfgang: Eva Wagner-Pasquier (nascida também em 1945) e Katharina Wagner (nascida em 1978 em Bayreuth).
A história vem de mais atrás. Com a morte do compositor sucedeu-lhe como responsável no Festival o filho Siegfried (1908-1930) e a este sua mulher Winifred Wagner (1930-1945), mas devido à particular relação desta com Adolf Hitler o festival só reabriu em 1951 (Winifred que faleceu em 1980 jamais renegou os seus ideais e a amizade com o Führer).
O casal tivera quatro filhos, netos de Wagner: Wieland (1917-1966), Friedlinde (1918-1991) Wolfgang (1919) e Verena (1920) e nos quais podemos dizer se nota um acentuado trauma materno levando a uma absurda negação do trabalho de Winifred e a uma desconstrução de uma concepção tradicional das obras de Wagner.
Após a guerra com Wieland e Wolfgang o novo drama wagneriano surgia. Após a morte em 1966 de Wieland torna-se o único director. Inicia-se também o afastamento de Nike... e dez anos depois da sua filha Eva.
Agora depois de se ter forçado a sucessão de Katharina que, recordo-vos foi pateada, chegou-se a esta solução bicéfala, capaz de agradar ao Conselho da Fundação Richard Wagner mas que, indiscutivelmente, deixa de fora a competente e conhecedora Nike, das três a que mais talhada estaria para o lugar.

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30 julho 2007

"NO MELHOR PANO..."

Fujam desta mulher (à esquerda na fotografia), como dizem que o diabo foge da cruz. Chama-se Katharina Wagner, tem a mania que é directora (de não, felizmente, muito extensa carreira: Der Fliegende Holländer, Würzburg 2002, Lohengrin, Budapeste 2004, Der Waffenschmied (Albert Lortzing), Munique 2005, Il trittico (Giacomo Puccini), Berlim 2006 e Die Meistersinger von Nürnberg, Bayreuth 2007) e dedica-se a assassinar a obra do genial compositor seu bisavô.
Felizmente, numa casa que seu bisavô mandou erguer para preservar a sua obra e, de um modo geral a cultura, palermices, imbecilidades e manifestas afrontas não são bem vistas ou consentidas e a rapariga de 29 anos, foi generosamente assobiada, vaiada e pateada (por ocasião da estreia no passado dia 25) e verá, assim o espero, muito mais difícil a sua ascenção ao lugar de director da Festspielhaus ocupado pelo seu pai.
A propósito da estreia recente não deixem de ler o postal do Eurico de Barros no seu Jantar das Quartas.

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