NO REINO DA XENOFILIA
Noticia o "Correio da Manhã" que uma família carenciada autóctone (espero que isto ainda se possa dizer...) da zona de Tomar, mais concretamente de Carvalhos de Figueiredo (terreola que indo pela estrada antiga ficava um pouco antes de Tomar), viu as suas filhas de cinco, sete e oito anos, terem de almoçar no átrio da escola (depois de, na quinta-feira passada, terem almoçado mesmo na rua) – segregadas das outras crianças – e de levarem de casa o respectivo prato e talher, por causa de uma (suprimo o politicamente correcto alegada) dívida à Associação de Pais. Não interessa aqui esgrimir os argumentos dos progenitores sobre a existência da dívida ou não (nem dos subsídios que eventualmente lhes são devidos), sendo certo que, por regra (aplicável a todos) as dívidas são para serem pagas... Embora se devam entender as palavras da mãe desempregada que afirma tal atitude ser "uma crueldade e uma violência. Não houve tolerância nenhuma e agora estão a vingar-se nas crianças quando querem atingir os pais".
O presidente da Associação de Pais da EB 1 de Carvalhos de Figueiredo, Pedro Fontes, afirmou ao jornal que "está tudo a ser feito dentro da lei". Naturalmente não o questionamos (e exaltamos o seu labor voluntário em prol da comunidade), apenas lembramos que a lei nem sempre é justa e não raras vezes é cega.
Estou certo que, apesar de estarmos em Portugal e as crianças discriminadas serem autóctones deste país, se fossem crianças africanas ou de etnia cigana, por muito elevada que a dívida fosse, a actuação jamais seria esta, apesar de estar igualmente "dentro da lei".
É apenas mais uma faceta desta pátria cada vez mais uiofóbica (medo/aversão dos próprios filhos, uso esta expressão para usar a aversão a iguais= homofobia), deste abjecto mundo novo contra o qual devemos permanecer de pé, mesmo entre as ruínas cada vez mais extensas e ostensivas...



