24 maio 2016

O FIM DE UM CICLO... OU DE UM JORNAL?

Embora com uma ligação anterior de muitos anos ao semanário "O Diabo", nele escrevi semanalmente desde Março de 2011 (há pouco mais de cinco anos), a convite do então novo director, o meu amigo Duarte Branquinho. Aceitei, então, essa maior  ligação - e obrigação - por acreditar no respectivo director, seu projecto e pela profunda liberdade intelectual do mesmo (apesar de, tal como eu, ser conotado com a "tenebrosa" extrema-direita). O anterior director do jornal é um homem livre, intolerante com as perseguições, venham de onde vierem, independentemente de rótulos que lhe queiram colar. Somos nisso muito parecidos e por tal, grande a nossa cumplicidade e muitos os rótulos que nos possam querer colar. Livres, estrutural e intrinsecamente, e por isso infinitamente mais tolerantes que a maioria dos "democratas", incapazes de se libertarem de "entre-olhos", do parece bem e da ditadura do politicamente correcto.
A aceitação desse encargo levou-me a relegar a um plano de quase estagnação este blogue, facto pelo qual peço desculpa aos seus leitores. Como já repararam recomecei as publicações no mesmo. Deve-se tal ao facto de ter abandonado "O Diabo" e, consequentemente "regressar" a esta tribuna...
É verdade saí d' "O Diabo" após tantos anos e a razão foi a recusa de publicação do exacto conteúdo vertido no "post" anterior pelo actual director, Doutor Miguel Mattos Chaves.
Os meus estimados leitores devem estar, por esta altura, perplexos: porque razão não publicaria o jornal o relato da constituição e objectivos da Associação de Estudos do Estado Novo? Não lobrigam? Eu também me custou a perceber, embora a versão oficial do director (MMC)  tenha sido que não cabia "na linha de artigos de opinião ou de análise que sempre norteou, desde a fundação, (que me lembre pois estive alguns anos sem o ler) a linha editorial deste semanário" e porque era "um escrito de propaganda pura e dura de uma sociedade de direito privado, em tom nu e cru" (MMC). Confesso-vos que fiquei estupefacto, em primeiro lugar porque sendo uma pessoa normal jamais enviaria para "o Diabo" algo que contrariasse os seus valores; em segundo lugar porque jamais anteriores directores, José Esteves Pinto ou Duarte Branquinho, recusaram qualquer texto meu, antes os agradecendo; em terceiro lugar porque conhecendo os leitores do jornal sabia que era um assunto apecisdo e finalmente pela ligação ao actual director.
E permitam-me aqui um parêntesis alongado, mas que se justifica. Sou amigo do actual director há muitos anos, fomos colegas no mesmo colégio nos tempos do liceu, tivemos (e temos) diversos amigos comuns, crescemos na mesma zona de Lisboa, partilhámos militâncias em associações, fui seu professor na licenciatura em Relações Internacionais, fui eu que o indicou ao anterior director para colaborador permanente do jornal e depois o indiquei como possível director e, para não vos aborrecer mais, comigo o anterior director discutiu o seu nome para o suceder e comigo o próprio se aconselhou antes de aceitar, como imaginam não poderia estar mais longe de ser alguém assim a vetar-me pela primeira vez nos muitos anos de colaboração no jornal.
Claro que sendo militante do CDS/PP ponderámos os riscos, mas a verdade é que o anterior director tinha que sair e alguém teria que assumir o lugar. As mudanças seriam inevitáveis, o novo director imprimiria - como é natural - as suas características, mais tendentes aos interesses do sistema instalado e das obrigações cobradas a quem milita em determinados partidos, mas a verdade é que sempre acreditámos que permanecendo alguns "clássicos" se poderia manter parte da essência do jornal. Puro engano como ora se vê.
Uma primeira subtil diferença - embora muito sintomática - foi operada junto ao título do jornal: o antigo "Semanário Político Independente", passava apenas a um, tranquilo, bem-comportado, integrado e conformado, "Semanário Político".
Se esta opção marcava a paixão de MMC pela área da Ciência Política, perfeitamente legítima e atendível, marcava também o temor da mudança num sentido de um maior alinhamento com o politicamente correcto, com os interesses do sistema e, consequentemente, a perda da INDEPENDÊNCIA, o valor maior e supremo do jornal desde sempre.
Ante a surpresa da recusa, temendo estar com o discernimento toldado, perguntei ao anterior director se se oporia à publicação de tal notícia so que Duarte Branquinho me respondeu: "Claro que não! Pelo contrário, é um tema que interessa aos leitores do jornal". Estava eu correcto quanto à adequação ao jornal, apenas o jornal já não era o mesmo... Assumindo a excusa a forma de "inadequação editorial" e jamais de censura ("Não posso ser acusado de te censurar fosse o que fosse. Far-me-ás essa justiça! MMC), até porque insistiu para que lhe enviasse os habituais artigos de opinião.
Ante a recusa fui eu que resolvi abandonar o jornal escrevendo-lhe que "Sempre tive liberdade total nesse jornal, nos muitos anos que aí escrevi (nunca nenhum dos directores anteriores recusou algo que enviasse) e creio ser tarde para me «emendar». Não perdes grande coisa, pois tens muita gente nova e, naturalmente, mais próxima de ti e das tuas ideias para contigo colaborar. Os vossos leitores serão cada vez mais diferentes - muito mais politicamente correctos, integrados e bem comportados - pois os muitos que conheço gostariam de saber notícias do que hoje enviei", acrescentando "Se historiar, em modo, justamente, de reportagem, o nascimento de tal associação - de estudo histórico - consideras «propaganda pura e dura», creio estar a mais no teu jornal pelo que te peço me excuses de continuar a dar a minha opinião que, estou certo, maculará a nova linha editorial".
Acrescentei "os ciclos iniciam e terminam, o meu, após isto terminou e, temo, cada vez mais "O Diabo" se afastará do que já foi e caminhará para o «mais do mesmo» de um centrão que não levará Portugal a lado nenhum".
"O Diabo" como o conhecemos está irremediavelmente a caminho do fim, rapidamente.
  
 

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5 Comments:

Blogger Helena BC said...

Sempre do teu lado Nuno, mesmo sem saberes, noticiei e recomendei que deixassem de comprar essa coisa que tem um director que teve a lata de te censurar.

segunda-feira, 30 maio, 2016  
Blogger Humberto Nuno Oliveira said...

Obrigado Helena, beijinho.

sábado, 04 junho, 2016  
Blogger José Domingos said...

Um bem haja, pelo seu regresso.
Lamentávelmente, é quase sempre mais simples, seguir o caminho mais fácil.
É o que distingue os meninos dos homens.
Cumprimentos

domingo, 26 junho, 2016  
Blogger Gonçalo Costa Cordeiro said...

Bem vindo de volta!!! Muito bom chegar aqui e ver que há actividade novamente!!! Um Abraço caro Professor!!!
Gonçalo Costa Cordeiro

segunda-feira, 27 junho, 2016  
Blogger Camilo said...

Lamento e com bastante pena.

sexta-feira, 01 julho, 2016  

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