05 janeiro 2011

UM LIVRO QUE VOS RECOMENDEI...

Ora vejam lá este excerto das páginas 17 e 18:
Porque será Israel, e nenhum outro país do mundo, alvo de uma deferência tão consistente por parte dos políticos mais importantes da América?
Há quem possa afirmar que isso se deve ao facto de Israel constituir um trunfo estratégico da maior importância para os Estados Unidos. Na verdade, aquele país e conhecido por ser um parceiro indispensável na «guerra ao terrorismo». Muitos poderão argumentar que fornecer apoio incondicional a Israel é uma obrigatoriedade moral, uma vez que e o único país da região que «partilha os nossos valores». Contudo, nenhum desses argumentos sobrevive a um escrutínio justo. A relação próxima entre Washington e Jerusalém faz com que seja mais difícil, e não mais fácil, derrotar os terroristas que neste momento apontam as suas miras aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que mina a posição da América junto de aliados importantes do resto do mundo. Agora que a Guerra Fria acabou, Israel tornou-se um fardo, em termos estratégicos, para os Estados Unidos. No entanto, nenhum aspirante a político dira isso em público, nem sequer se atreverá a levantar essa questão.
Por outro lado, não existe nenhum argumento moral e consistente que justifique a relação acrítica e tão determinada da América com Israel. Por detrás da existência de Israel está, sim, um motivo moral, e existem motivos credíveis para os Estados Unidos se empenharem em ajudar Israel no caso de a sobrevivência do país estar em perigo. Mas, tendo em conta a forma brutal como Israel trata os palestinianos nos Territórios Ocupados, um raciocínio moral cuidado poderia levar os Estados Unidos a traçar uma política mais imparcial para com as duas facções ou até mesmo a tender para o lado dos palestinianos. Porém, é pouco provável que venhamos a escutar uma tal perspectiva por parte de alguém que ambicione ser presidente ou por parte de alguém que sonhe vir a ocupar um lugar no Senado.
O verdadeiro motivo da deferência dos políticos norte-americanos está no poder político do lóbi de Israel. O lóbi e uma coligação informal de indivíduos e organizações que trabalha activamente no sentido de orientar a política externa dos EUA numa direcção mais favorável a Israel. Tal como iremos descrever em detalhe, não se trata de um movimento único e unificado com uma liderança central, e em nada se assemelha a uma cabala ou uma conspiração que «controla» a política externa norte-americana. Trata-se, muito simplesmente, de um grupo poderoso, composto tanto por judeus como por gentios, com um interesse em comum, e cujo objectivo concreto é fazer pressão no seio dos Estados Unidos no sentido de favorecer Israel e de influenciar a política externa norte-americana de uma forma que os seus membros consideram vantajosa para o estado judaico. Os vários grupos que compõem este lóbi não concordam em todos os assuntos, mas partilham o desejo de promover uma relação especial entre os Estados Unidos e Israel. Tal como acontece com outros lóbis étnicos e grupos de interesse, os vários elementos do lóbi de Israel exercem formas legítimas de participação política democrática, que são em grande maioria coerentes com a longa tradição americana das actividades dos grupos de interesse.
Como o lóbi de Israel se tornou gradualmente num dos mais poderosos grupos de interesse dos Estados Unidos, os candidatos ao mais alto cargo do governo dedicam uma atenção especial aos seus desejos. Os indivíduos e grupos norte-americanos que formam o lóbi preocupam-se profundamente com Israel e não querem que os políticos americanos critiquem o país, apesar de essas críticas poderem ser legítimas ou, até, benéficas para o próprio país. Pelo contrário, querem que os líderes dos EUA tratem Israel como se este fosse o quinquagésimo primeiro estado. Tanto os democratas quanto os re¬publicanos temem a forca do lóbi. Todos eles sabem que qualquer politico que desafie as suas politicas tem poucas hipóteses de chegar a presidente.
Claro que os autores Professores das Universidades de Chicago e Harvard, já foram acusados de anti-semitismo e ameaçados, pois então...

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2 Comments:

Blogger José Domingos said...

É claro, que os judeus, trazem os americano, com a rédea curta, como trazem os alemães, de joelhos, há muitos anos, e com lucros fabulosos.
Persistem em arranhar a ferida, para esta, não parar de sangrar, embora actuem, da mesma maneira ou pior, que os seus "inimigos" do passado.
Fomentaram o maior fenómeno de extorsão, que há memória, impoêm, leis, em países livres, criando o delito de opinião, com bastantes presos, por esse mundo fora.
Assistimos a uma ditadura de uma minoria..................
Estávamos aqui a escrever, umas horas, para depois ser acusado de antisemita, acusação feita a quem não verga.

quarta-feira, 05 janeiro, 2011  
Blogger Nuno Castelo-Branco said...

Concordo com aquilo que o texto diz, mas creio que os autores estraão a ser ingénuos, no que se refere à apreciação da posição do chamado "mundo árabe" perante o Ocidente. de facto, Israel é um grande escolho, um abcesso de fixação. Estou tão certo como esta cidade se chamar Lisboa, que no caso de Israel um dia desaparecer, nós seremos o próximo alvo de reivindicações à descarada, a par de um violento reacender conflito nos Balcãs e uma generalizada ofensiva dos colonos que pululam na Alemanha, frança, Bélgica, R.U., Holanda, Espanha, etc, etc. Não tenhamos qualquer tipo de ilusões, pois eles proclamam-no abertamente. A sociedade laica está refém da minoria prosélita e muito activista formada nas mesquitas. Essa é a grande diferença, quando comparamos a situação com a dois judeus. Ou não é verdade?

Quanto ao lóbi judaico na América, se é - por que é mesmo - preponderante, isso deve-se à sua acção que é intensa e sem descanso. Bem vistas as coisas, o seu mérito é total e eficaz, se compararmos com os outros lóbis, entres os quais, infelizmente, o português é apenas uma grotesca caricatura.

sexta-feira, 07 janeiro, 2011  

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