
Creio que não preciso de vos relatar, como historiador, o quanto me desaponta, contraria os anseios da musa Clio e me enoja a "história" imposta por leis penais.
Em Grego antigo
ἱστορία significava inquirir ou, por extensão, conhecimento derivado desse acto - a inquirição. Logo proibir a inquirição - seja ela orientada em que sentido for - é contrário à própria essência da História. O Historiador é pois um pesquisador da História e ninguém pode investigar, cientificamente e em liberdade, se sejeito a leis penais que forçam "verdades" históricas condenando à prisão aqueles que ousam, ainda que apenas, questioná-las. Evidentemente que se tomarmos como boa a definição de Voltaire de que a "história consiste numa série de imaginativas invenções acumuladas", talvez sirva...
Todavia se optarmos por seguir sábio conselho de Heródoto (geralmente considerado como o pai da História) de que "poucas coisas acontecem no momento certo e as demais não acontecem de todo, o historiador conscencioso corrigirá esses defeitos", a coisa muda de figura.
Determina-me este postal de hoje a recente condenação de Pedro Varela por edição de livros (sim leram bem, o "crime" é a edição de livros) que promovem o genocídio (eufemistico modo de apresentar livros quer questionam uma versão dos factos históricos), algo que não parece, em sociedades que se arvoram guardiães da democracia, qualquer ilícito, ainda se fora um estado totalitário...
Acontece, porém, que tão zelosas criaturas intentam outro processo, para que Varela apanhe maior condenação: por edição do "Mein Kampf" sem o necessário pagamento de direitos (que no caso de Varela seguramente lhe seriam negados ao abrigo de qualquer invenção e "elevada" justificação...) à entidade que os detém: o Estado da Baviera, herdeiro dos direitos do livro de Hitler...
Ou seja, apesar de tão hediondo, parece que os direitos ainda rendem uns cobres ao erário daquele estado que, não se livraram deles, o que seria consentâneo com tão pestilenta imagem (já sei que será para proteger de edições não conformes... pois claro...), antes os usam e cuidadosamente (ainda não há muitos anos a embaixada alemã mandava apreender das nossas livrarias uma edição em semelhante situação) vivendo ainda um pouco à conta do antigo Chanceler.
Mas atenção a mama acaba em 2015, não sem que, seguramente, surja uma elaboradísssima "edição crítica" conforme à cartilha do politicamente correcto...
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