12 março 2007

NOTAS DA IMPRENSA

A Câncio - Já tinha ouvido e lido que a tal de Câncio é insuportável (facto que se deve ter seguramente agravado com a relação afectiva da pequena [que o gajo, conforme mo confirmou conhecida que teve anteriormente o mesmo mau gosto da Câncio, é pouco dotado]), mas confesso que nunca me tinha dado ao trabalho de a ler. Pois não é que a criatura descobriu agora (Diário de Notícias de 9 de Março) que as preocupações de pureza rácica são exclusivo de "supremacistas brancos" que intermeiam a coisa com dois "heil Hitler"? A rapariginha saberá do que fala ou só vê o mundo a branco?

Museu Salazar -
Os URAP's já conseguiram 3.500 assinaturas contra o Museu Salazar. Fico tranquilo. Pode ser que a tenebrosa ameaça à democracia e à liberdade (não será isto um tanto paradoxal? Já na altura não me pareceu adequada aquela cantiga dos URAP's do "povo é quem mais ordena", ou tal não se aplica ao povo de Santa Comba?) que constituiria a edificação de tal museu não vá avante. Antes assim!

Iraque ou "remake" do Vietname - Diga lá outra vez? O comandante da força multinacional no Iraque, o general americano, David Petraeus, admite que não há solução militar. Não nos admira pois é hábito bem americano. Mas será que lhe fica bem reconhecê-lo? Corre, pois, de vento em popa a edificação da "democracia" iraquiana... Como era a letra??? I don't care I don't give a damn, next stop is Vietnam...

Ventos da Madeira - Não sou, garanto, porta-voz e muito menos assalariado do Dr. Alberto João Jardim, não faço, todavia, porém parte dos reactivos pavlovianos contra o mesmo político. A verdade é que quem conheceu a Madeira como eu conheci, reconhece o mérito ao Presidente do Governo Regional. E a verdade é que parece que não sou só eu... Uma delegação da República da Coreia do Sul desloca-se à Madeira para produzir um trabalho sobre aquela autonomia. Algum mérito terá para o seu eco ter chegado a tão distantes paragens. Ou não?

Serviço Militar Obrigatório - Continuam os desacertos na nossa defesa nacional. Depois de há uns anos o então ministro, conhecido como o cabo nojeira, ter extinto o SMO, com os inúmeros malefícios que daí advieram (que pena tenho que os meus filhos não possam passar por essa importante escola/experiência), chega agora a vez de o actual ministro (o meu antigo colega de Faculdade, Nuno Severiano Teixeira), declarar no Dia Internacional da Mulher que, para acabar com a descriminação positiva, o recenseamento vai ser obrigatório para as mulheres. Para quê Nuno? Qual o propósito e a lógica? Haja mas é coragem e reactive-se o SMO que tão bem fazia à juventude deste país. Nunca resisto a evocar um episódio passado em 1986 quando dei instrução na recruta, encontrei aí homens que desconheciam as mais elementares regras de civilidade e até o banho.
A Terrível Revelação - O filósofo espanhol Ortega y Gasset exilado em Portugal entre 1942 e 1955 declarou sobre Salazar: "É um grande homem, talvez maior ainda que Pombal, cuja antítese representa, e um dia, provavelmente, mata-lo-ão, como mataram Pombal. Pode permitir-se a alguém demonstrar que a ditadura, quando o ditador tem fibra, é melhor que a democracia? Estes palermas dos ocidentais declararam a guerra de Hitler, que tão útil era para a causa de democracia, como símbolo e personificação de todos os males do totalitarismo. A Salazar deveriam também declará-la. Do ponto de vista deles, o perigo está nele, o bom ditador. Mas matá-lo-ão, matá-lo-ão sem dúvida. Hoje não há lugar no mundo para os grandes homens de Estado".

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04 março 2007

MUSEU SALAZAR

Centenas de populares de Santa Comba Dão (não, não eram os tenebrosos Nacionalistas orquestrados, ou não, pelo PNR) receberam ontem com vivas a Salazar os membros da anacrónica União de Resistentes Anti-Fascistas Portugueses – URAP (fiquei, assim, a saber que esse resquício do 25A ainda existia), em luta contra a criação do Museu Salazar na cidade. Para grande tristeza dos me(r)dia “não foi notada na cidade a presença de quaisquer elementos ou grupos de extrema-direita”, foram mesmo os populares locais (a propósito terão notado como os protegidos e amiguinhos se manifestaram em Copenhaga??? Calhando não tiveram tempo…) que se manifestaram. Mas claro, como a cabala não podia faltar, descobriu-se que numa quinta privada em Sortelha (Sabugal), iria decorrer um encontro de elementos “alegadamente” próximos de grupos neonazis e neofascistas. Fantástico. Tal levou a que a GNR reforçasse em quase uma centena os seus efectivos em Santa Comba Dão (nunca hei-de entender porque não o fazem durante os workshops de desobediência civil do berloque de esterco).

Os URAP’s estavam reunidos na cidade para uma sessão de informação contra a criação do Museu, enquanto que centenas de populares deram vivas a Salazar a que os URAP’s respondiam com a estafada cantilena do «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais». Mas então em Santa Comba não é o povo quem mais ordena? Está visto que a cantiga só é cantada quando de feição...

Durante o dia uma viatura passou pelo largo e lançou dezenas de panfletos anónimos de louvor a Salazar (até me admira como não foi descoberto terem sido os neonazis e neofascistas da tal quinta de Sortelha...): intitulados «Salazar, o obreiro e maior patriota português», defendiam que «Salazar nasceu para a vida eterna» que, com a sua morte, «a Nação portuguesa ficou empobrecida nos seus valores humanos» ou ainda que «a História de Portugal, oito vezes secular, enriqueceu notavelmente durante o governo de Oliveira Salazar». À sua figura qualificada como «dos mais notáveis portugueses do mundo e o maior português deste século» afirmava-se que Portugal devia «a definição dos sãos princípios sobre os quais tem de assentar a defesa da moral, da justiça, da ordem, do trabalho e da família e a defesa da pátria contra o comunismo».

Venha lá esse Museu e que se lixem esses URAP’s, que a História de Portugal não se pode compadecer de semelhantes visões limitadas por entre-olhos.

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