Diz-se entre todos os que entre nós comentam o assunto que no nosso ministério dos negócios estrangeiros, os diplomatas só os há de dois tipos: os bichos e as bichas, e talvez tal me tenha, cedo, demovido de qualquer veleidade diplomática. E ainda bem, acrescento.
A semana que se encerra deu a Portugal dois motivos de sobra para explorar em benefício dos seus interesses, daqueles verdadeiros e permanentes, tais motivos.
De que estarei a falar, perguntaram, tal a mudez, ou eventualmente pior, a estupidez que sobre tais assuntos, qual manto diáfano, se abateu.
Em Santiago de Compostela mais de 25.000 galegos exigiram o reconhecimento da sua língua como português, e acusando a brutal imposição do castelhano como ilegítima. Afirmaram, "a nossa língua não é regional nem dialectal, mas sim internacional. O galego é o português da Galiza e nós queremos que o galego se confunda com o português, mantendo as suas especificidades próprias".
Ao mesmo tempo o vice-presidente do Governo Autónoma da Catalunha, Carod Rovira, acusou a Espanha de não ter entendido até ao momento que Portugal é um Estado independente, mantendo uma espécie de "imperialismo doméstico" e incitando Portugal a apoiar a independência que pretende para a região, propondo referendo em 2014. Rovira apenas lembrou o óbvio (com demonstração provada na História): "O que menos interessa a Portugal é uma Espanha unitária (...) uma Catalunha independente na fachada mediterrânea poderia ser o contrapeso lógico ao centralismo espanhol".
O que ouviram por cá? Nada, claro. Ou melhor, na ressaca o embaixador em Madrid recusou estas ideias, em nome da "intensidade das relações". Pois...
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