09 agosto 2008

MITOS OLÍMPICOS


Repararam, certamente, que não há Olimpíada em que não venha à baila, ou em que não sejamos mesmo literalmente matraqueados com o feito do super-homem Jesse Owens nos Jogos de 1936, sobre como foi o homem mais rápido do seu tempo (mas tudo o que vá para além desse facto, será uma abusiva liberdade), e sobretudo autor da profunda ira provocada a Hitler obrigando-o a engolir o mito da superioridade do homem ariano que supostamente (haveria que demonstrá- -lo...) eram o fito daqueles Jogos...
Há histórias assim que se perpetuam e ficam, in secula saeculorum, na memória dos crentes (pois que mais se trata de religião que de ciência). A mais elementar análise destruiria todos esses considerandos, excepto evidentemente o da irritação de Hitler que é “comprovada” por todos quantos se dedicam a uma história exclusivamente oral, tornada obrigatória e científica...
Jesse Owens venceu quatro medalhas de ouro nos Jogos de Berlim, é certo, três no mesmo âmbito: velocidade (100m, 200m e estafeta 4x100m) e uma no salto em comprimento. Tais marcas fazem dele, evidentemente, um atleta de eleição digno de figurar nos anais do desporto mundial, mas daí a super-homem irá uma considerável distância.
A haver prova rainha do atletismo, mais próxima do dito conceito de super-homem, ela seria a do decatlo, ganha também, curiosamente, por um americano, que porém conheceria maior fama como um dos Tarzan (Tarzan’s revenge, 1938), Glenn Morris, branco, porém, logo inexpressivo para os efeitos propagandísticos (quem procurava, então, a propaganda?) desejados.
Mas quase que aposto que a grande maioria jamais ouviu falar de Konrad Frey, um “insignificante” atleta alemão que foi, nesses mesmos jogos, o atleta em termos absolutos com mais medalhas: “só” três de ouro, uma de prata e duas de bronze, seis no total, portanto. Evidentemente que este atleta do Reich jamais poderia merecer a distinção de super-homem, apesar das vitórias mas sobretudo por ser alemão. Vencedor em barras paralelas, cavalo com arções e equipa; prata em barra fixa e bronze nos exercícios no solo e concurso geral, não possuia, evidentemente, qualquer craveira... Mas assim se faz a história...
Quanto às irritações de Hitler e histórias de super-homens, se se olhar para o quadro das medalhas ver-se-ia bem que o “episódio Owens” foi facilmente ultrapassável pelos “objectivos” alemães.

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1 Comments:

Blogger Dr.Régio Moura said...

Excelente!Excelente!Excelente!
No "Filhos de Saló",no post "Repondo verdades olímpicas" expresso-te o meu agradecimento.
Desconhecia em absoluto!
Abraço camarada!

sábado, 09 agosto, 2008  

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