
Foi numa sala de hotel, acompanhado com apoiantes (sempre dedicados até ao final) que acompanhei, com a dificuldade que resulta do facto de apenas existirem cinco partidos, o resultado das eleições de ontem.
Importa tecer algumas considerações, tão claras quanto possível.
Começarei pelas notas negativas:
- Considero este resultado, da lista que encabecei, como uma derrota pessoal e, antes de quaisquer outros, da minha inteira e exclusiva responsabilidade, dado o contexto internacional em que se disputaram estas eleições;
- Sendo certo que aumentar cerca de 5.000 votos em eleições em que a própria abstenção cresceu poderia ser considerado positivo, confesso que esperava, como mínimo, que duplicássemos o resultado de 2004 (outros, mais optimistas, almejavam ainda maiores voos), ou seja, que nos colocássemos na ordem dos 16.000 votos, fiquei, portanto a 3.000 votos dessa marca;
- O crescimento assustador, absolutamente caracterizador do nível a que chegou o nosso país, da extrema-esquerda;
- A "vitória" da abstenção (rondando os 62%), devendo ser perguntado a esses vitoriosos o que irão fazer com a mesma, que mudanças empreendederão, que alterações profundas irão operar? A abstenção é uma absoluta inutilidade pois, por maior que se revele, e mesmo que eleitos por apenas 1% os políticos do sistema continuarão a governar, ralando-se pouco sobre as taxas de abstenção, seguramente a sua maior preocupação no momento em que fazem as malas para Bruxelas;
- A vitória do mais do mesmo pois, na realidade, PSD e PS são absolutamente iguais e votaram juntos 98% das vezes no Parlamento Europeu em 2008;
- A total ausência de uma campanha séria mas que, aparentemente ainda agrada a muito português;
- A tenebrosa instituição das sondagens que funcionou contra nós em voto "útil" de última hora no CDS;
- O boicote da comunicação social e o desrespeito pelas leis eleitorais e pela paridade na cobertura que devia ser padrão. Hoje mesmo ao analisar os pequenos partidos já o "Diário de Notícias" omite o PNR que, independentemente das minhas considerações, até cresceu ao invés de outro partido que noticiam...;
Como tantas vezes afirmei na campanha, temo mesmo que este nosso país não seja viável...
Etiquetas: Campanha, Candidatura às europeias, PNR Europeias 2009