14 maio 2014

A IDENTIDADE É - APARENTEMENTE - UM VALOR NÃO APLICÁVEL NA EUROPA...

Etiquetas: ,

29 setembro 2012

O SONHO MULTICULTURALISTA....

18 abril 2012

AOS 38 DESPIDA... NÃO SÓ DE ROUPA...

Lá sobre o jardim não sei, já quanto à família perfeita (particularmente o último marido e os três  filhos deste)...
Despida de preconceitos ... e de razoabilidade e responsabilidade...

Etiquetas: ,

10 fevereiro 2011

UMA TRAGICOMÉDIA "AMERICANA"

Relatam os jornais o enredo familiar entre a actriz negra Halle Berry, o modelo branco Gabriel Aubry e a filha de ambos de nome Nahla. Consta que o pai (pelo que se pode comprovar pela fotografia junta afectado de graves problemas de visão...) não gosta que a mãe se refira à filha de ambos como negra. E a coisa não fica por aqui. À mãe defensora da teoria "one drop" segundo a qual basta uma gota de sangue negro para que a filha o seja também (reparem que no caso desta acérrima defesa rácica ninguém levanta a voz condenatória...), opõe-se o pai, desconfortável, e descrito por uma ex-namorada como "extremamente racista".
Porém todos lavram em lamentáveis equívocos. Tem razão o pai ao não concordar com a classificação de negra, pois na realidade é mestiça e não negra pura como pretende a mãe. Engana-se a ex-namorada na classificação de racista. Se fosse racialista jamais Gabriel teria uma filha de uma negra, se fosse racista jamais teria sequer sexo com uma...
Mas neste mundo de pernas para o ar e onde o direito ao mais completo disparate é livre toda a parvoice ganha foros de autoridade...

Etiquetas: , ,

29 julho 2010

CHRISTOPHE LEMAITRE



Não querendo chegar aos níveis verdadeiramente inaceitáveis do lne.es que raia o mais intolerável racismo - o novo rei branco da velocidade na Europa - , dos afrontosos comentários do altas pulsaciones - Lemaitre acaba com o domínio negro nos 100 metros - ou da inaceitável tirada supremacista e racista do deia.com - "White power" - que atestam a falta que faz a implementação no país vizinho da escrupulosa cartilha do atento e venerando José Falcão, ainda assim gostaria de partilhar convosco a satisfação de ver um europeu ganhar, ontem, a velocidade nos campeonatos da Europa.
Parecendo um comentário normal, infelizmente há muito que o não é... É também, de certa maneira, a queda de um mito...

Etiquetas: , , ,

23 julho 2010

ASPECTOS PRÁTICOS

mas absolutamente fabulosos dos casamentos multi-raciais...

Etiquetas: ,

08 julho 2010

CLARÍSSIMO!




Pilhado aqui, com a minha vénia e agradecimento. Acho que perante tal clareza não é necessário acrescentar nada...

Etiquetas: ,

07 setembro 2008

SURPREENDENTE?

Ontem surpreendi-me (confesso-vos que não sei como me surpreende ainda a televisão em Portugal) ao ver a novela da TVI "A Outra".
Um casal de africanos comentava a sua ida a um casamento e que não deviam ir vestidos à europeus, antes com os seus trajes tradicionais angolanos, dizia o homem: "não devemos ter vergonha da nossa cultura e ter que andar como eles". À sua filha, "portuguesa" aconselhavam que fosse como pretendesse, ou à europeia ou à africana.
Nada temos a opôr à defesa da identidade de todos quantos, quanto à filha de tal casal ser "portuguesa" já mais haveria a dizer.
Sobre também o que muito haveria a dizer é sobre a liberdade dada a africanos para assim se exprimirem vedando-se a europeus (sob o anátema de racismo) idêntico direito, mas pode ser que ainda um dia perceba porquê.
A defesa da identidade em uns é o racismo em outros...

Etiquetas: , ,

21 julho 2008

AFINAL EM QUE FICAMOS?

Noticiou o insuspeito "Diário de Notícias" (Sábado, 19 de Julho de 2008) em notícia aqui reproduzida, que diferenças genéticas (as tais consideradas ínfimas) entre as sub espécies de homo sapiens sapiens são afinal determinantes para a imunidade, ou ausência dela, a certas enfermidades. O tema não é novo, evidentemente, muito menos nesta tribuna, onde pelo menos numa ocasião, e por ocasião de uma série de postais dedicados à Antropologia, abordei o tema das ditas diferenças genéticas e suas implicações médicas.
Sob o título de "Gene africano facilita infecção pelo HIV" afirma-se que o gene "DARC" aumenta a protecção contra a malária mas aumenta até 40% a possibilidade de contrair a sida. Parece encontrada a explicação para o porquê da malária atacar tão diferenciadamente brancos e negros em África.
Importa, então, como sempre fazemos, perguntar: então há genes africanos e dos outros? Demonstrará a ciência que as sub espécies existem mesmo, a arrepio do politicamente correcto? E a crer nestas pesquisas não será potencialmente prejudicial a mistura das mesmas? Ou pelo menos estarão estudadas as suas potenciais implicações sanitárias?
A verdade é que, negando a antropologia (a que não chamo física, por redundante, como aqui sempre afirmei), parece a genética vir cada vez mais destapar o sol que a peneira do politicamente correcto tenta encobrir...

Etiquetas: , ,

19 novembro 2007

O SUICIDIO COLECTIVO

Noticia hoje o "Global Notícias" em primeira página que a "Sociedade portuguesa tem comportamento suicida", acrescentando, sem "qualquer racismo ou xenofobia nesta análise", que Portugal , com os portugueses de hoje, vai ter tendência a desaparecer.
A notícia seria alarmante se não fosse por demais evidente e óbvia. Um médico de saúde pública do Hospital de Faro classifica tal um "sintoma de uma sociedade doente". Acrescentando que a "baixa natalidade se regista um pouco por toda a Europa, o que levará à extinção dos povos europeus tal como são actualmente conhecidos".
Como podem ver quando em tempos vos falei de um "homológico" algures no Norte da Europa não estava tão no plano da ficção científica como alguns pensaram... O presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia considera mesmo que a "descendência portuguesa esta ameaçada por falta de uma política demográfica séria". Mas para além destas vozes, entre outras, que fazem, sobretudo os que para tal detêm o poder? Nada, absolutamente nada até porque querem lá eles saber do Portugal como o conhecemos ou da Europa enquanto tal. O culto da globalização, a moda da miscegenação, o paradigma da multiculturalidade (imposto como algo evidente, normal e desejável aos europeus e prevenido em todos os demais continentes, exceptuando o caso norte-americano, pai de todos os vícios...) levará Portugal e a Europa, se existirem no futuro, a ser profundamente diversas. Mas pelos visto tal só preocupa os "racistas e xenófobos" que se incomodam que aos europeus - progenitores e crianças - não sejam dadas condições (tantas vezes dadas a imigrantes e clandestinos) para poderem crescer nos seus países e assim continuá-los. Porque caso contrário, achem lá o que quiserem, Portugal não será Portugal, nem a Europa a Europa.

Etiquetas: , ,

12 agosto 2007

NOVA OFENSIVA...

do "Todos diferentes, todos anormais"... Um gasto desnecessário do Estado. Onde está escrito, excepto no "politicamentecorretês" que não se possa ver a nacionalidade, o credo ou a raça (afinal existe?)? Que tem isso a ver com preconceito?
P.S. E já agora, já avisaram os ingleses???

Etiquetas: ,

20 julho 2007

MAÇADO E BARALHADO

Fui hoje de manhã, como podem comprovar pela imagem junta, realizar um E.C.G. com Prova de Esforço, coisa mais ou menos de rotina, confesso que vim de lá manifestamente maçado pois a "coisa" não está nada famosa, não obstante, os imensos medicamentos com que me encharcam, com correspondente dispêndio de euros... Maçado com o resultado, portanto, mas adiante que isso pouco importa aqui.
Todavia, ao olhar para os dados tangíveis constantes do exame: nome, idade, sexo, altura e peso verifiquei que se encontrava um outro - raça - e lá estava escrito caucasiano. Como o Instituto (inaugurado até pelo Mário Soares) é recente e a maquinaria de última geração (não era de nenhum hospital alemão da 2ª Guerra Mundial), cuidei que se tratava de um erro grosseiro: o resultado do exame e a menção à raça, naturalmente, e esbocei uma reclamação. Sem sucesso porém, ambos eram verdadeiros, o que me deixou muito maçado e baralhado. Será que posso acreditar na medicina?

Etiquetas: ,

27 junho 2007

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA - FIM

Ensinava a Arqueologia que entre os Homo sapiens sapiens, existiam três registos fósseis profundamente diferentes: o Homem de Cro-Magnon, o Homem de Grimaldi e o Homem de Chancelade que teriam dado origem a essas sub espécies. É claro que, e lembrando uma expressão feliz, penso que do Abade Breuil (ou seria de Leakey? A memória já me trai…) o “berço da humanidade está sobre rodas”, todas estas evoluções ligadas a fósseis (antigamente chamavam-se “directores”) estão em permanente revisão e novos elementos aparecem com frequência.

A verdade é que a negação das sub espécies humanas parece ser impossível de sustentar e, assim sendo, a sua defesa ou extinção torna-se, não um pressuposto animal ou antropológico, mas cultural, com todas as influências a que tais pressupostos se encontram expostos. Chegamos assim a uma discussão, que foge contrariamente a todos os demais animais ao âmbito de uma questão animal, cultural entre o que poderemos denominar de “racialistas” e defensores da miscigenação.

O termo “racialista” é nesta acepção desejável ao de racista, porquanto, um, o primeiro, pressupõe a defesa de uma dada sub espécie ao passo que o segundo pode acompanhar essa defesa de concepções de relativa inferioridade ou superioridade biológica. E não é essa questão que aqui se analisa. Tal como para os equídeos não se cuidou de perceber “vantagens”, “superioridades” ou “inferioridades” entre um Percheron e um Lusitano. Antes, constatando-se a sua diversidade se concluiu pela utilidade da sua preservação. Outrossim se pretende aplicar a mesma concepção ao homem, membro do mesmo reino animal.

Tal como entre os restantes animais, também a reprodução humana assentou numa selecção sexual de proximidade. Os homens reproduziam-se no seio de um espaço geográfico reduzido e tal mantinha, como entre os demais membros do reino animal, e preservava as características da sub espécie. Naturalmente que a miscigenação entre duas sub espécies diferentes contribui para diminuir as diferenças genéticas entre elas (o que, como vimos, tentamos preservar em todos os demais animais), criando não uma nova sub espécie, mas um, em termos animais, híbrido. Todo este processo se iniciou no século XV, por influência primeira de Portugal, através do movimento das descobertas, sendo até então o fenómeno meramente residual. Desse primeiro processo de “globalização” resultaram num caso os denominados híbridos, noutros casos a extinção, pura e simples, de comunidades isoladas como, por exemplo, os aborígenes da Tasmânia. Assim as grandes migrações da época moderna foram o primeiro grande contributo para a redução da diferença genética entre as sub espécies humanas, num processo similar ao que, tantas vezes, determinou a extinção de outras espécies animais. A analogia não é, parece-nos, sequer rebuscada…

Durante séculos a alteração foi, naturalmente maior, nos “novos mundos” do que no “velho mundo” e tal mantinha a discussão convenientemente longe de portas. A constatação de que a América, pós-colombiana, experimentou, com a chegada de europeus, africanos e mesmo orientais, o surgimento de uma complexa população multirracial, ou por coerência de terminologia, de miscigenação de múltiplas sub espécies que a corrompeu em definitivo não é, de modo, algum uma observação “racista”, apenas a evidência de um facto histórico. Estaríamos disposto a aceitá-lo relativamente aos demais animais que subjugamos? A resposta foi já dada de modo inequívoco!


Chegamos ao ponto, pois, analisando o homem como animal, de colocar a questão: não terá o homem o mesmo direito de reclamar e pretender preservar as suas sub espécies, sem que tal implique qualquer acção contrárias às demais, tal como ele homem impõe aos restantes animais (é de facto, apenas, uma sobranceria racional humana pretender impedir o cruzamento das panteras com os tigres, por exemplo, porque falamos então, nesses casos de perigo de extinção?)? E aqui chegados a questão é meramente pessoal e cultural e nenhuma pode pretender sobrevalorizar-se à outra, muito menos a que vai prevalecendo por contrária à analogia com o reino animal, que controlamos, mas a que jamais deixaremos de pertencer…

Etiquetas: , ,

23 junho 2007

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA 5

Na realidade a constatação das diferenças genéticas, que podem ir de um insignificante 0,1% até aos 8% (nos casos de sub espécies mais afastadas), podem ter duas leituras claramente distintas. Uma proclama que tais diferenças, percentualmente pouco importantes, não possuem significado, argumentando que as distâncias genéticas aumentam de modo contínuo sendo as suas definições arbitrárias. Segundo os defensores deste modelo a tentativa de impor uma classificação por “raças” seria a imposição de uma descontinuidade artificial num fenómeno contínuo e normal. Porém, outros cientistas entram em discordância com tais postulados afirmando que a afirmação do primado da ausência de significado da noção de raça deriva, antes do mais, de motivações políticas e que as diferenças genéticas são, efectivamente, significativas (estudos como o da propensão para a aquisição ou rejeição de determinadas doenças têm sido desenvolvidas neste domínio). Não se vislumbra, pois, que a questão seja isenta de paixão nem dos tais apriorismos que inquinam tais discussões. Mas a verdade é que desde Carolus Linnaeus que se definiu o conceito de raças para os humanos como por ele também foram classificados muitos outros animais.

Todavia, tal constatação nada tem a ver com o que se pretendeu denominar etnocentrismo como a crença de que determinado grupo étnico ou sub espécie detivesse maior importância ou superioridade relativamente aos demais. Claude Lévi-Strauss utilizou tal conceito para definir racismo como a crença de que uma dada raça (é essa a expressão do antropólogo) é biologicamente superior às demais detendo sobre elas uma qualquer vantagem. A busca de genes, cromossomas ou DNA “superiores” determinou buscas genéticas nesse sentido. Não se procuram, aqui, superioridades ou inferioridades na espécie humana apenas, e só, a constatação das diversidades existentes e do direito, como nos demais animais, à preservação das mesmas.
(continua)

Etiquetas: , ,

22 junho 2007

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA 4

Eis nos, pois, chegados ao animal que cientificamente dá pelo nome de Homo sapiens sapiens. Animal que, justamente ou talvez não, se considera ocupar o lugar cimeiro no reino animal, muito por causa, como atrás referimos, da tal capacidade intelectual exclusiva – ou como já se aflorou, talvez não (ao tratar estes temas lembro-me sempre do notável livro La planète dês singes, editado em 1963 por Pierre Boulle, e adaptado ao cinema com o nome de Planet of the Apes) – do domínio da razão. É esse domínio que, entre outras óbvias vantagens, lhe confere o denominado livre arbítrio (desde logo para decidir da sorte dos demais animais...). Será que esta espécie – Homem – para além dessa diferença possui outras de vulto relativamente aos demais animais? Como vimos abordando ao longo deste artigo, desde as tartarugas (testudines), aos gatos (felis catus), aos cães (canis lupus familiaris), aos cavalos (equus caballus), ao gado bovino (bos taurus) e finalmente aos nossos primos primatas, todas as espécies apresentam sub espécies ou “raças”. Será a espécie homem uma excepção? Não terá ela, à semelhança dos seus mais próximos parentes, sub espécies? Será esta espécie original nessa característica? Claro que não!

Negam-no a arqueologia e as evidencias. Afirmam-no, todavia, pseudo ciências defensoras do politicamente correcto, que esgrimem algo que ninguém contesta – só há uma espécie humana (Serão espécie e raça sinónimos neste contexto? Não o são para gatos, cães e tantos outros animais pelo que, relativamente ao homem poderemos estar simplesmente perante um apriorismo de conveniência cultural e, relembro, uma vez mais, que falamos de diversos membros de um mesmo reino animal. Será que o homem, devido às tais capacidades que não partilha com os demais membros do reino pode alterar, de acordo com as suas conveniências, classificações científicas?) – mas que mesmo assim não conseguem evitar dizer que as diferenças (afinal existem!) entre as principais sub espécies (caucasóide, negroíde e asiática) dessa raça única representam apenas uma pequena percentagem (quão pequena?) do conjunto das características genéticas. E, voltando ao princípio, tratando-se de um animal, poder-se-ia perguntar qual a percentagem de variação entre o lince da serra da Malcata e outro da Europa central, seria maior ou menor? E entre o pastor alemão e o pastor belga? Mas por muito pequena que seja a percentagem não advogamos, mesmo assim, a sua preservação, a preservação dessas distintas sub espécies de canis lupus?
(continua)

Etiquetas: , ,

21 junho 2007

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA 3

Mas afastados que andámos por ordens muito diferentes da nossa, embora com todas elas partilhemos domínio, reino, sub-reino, filo, sub-filo, classe, subclasse e infra classe (ups, esqueci-me das tartarugas que já estavam bem lá atrás e que são mais distantes de nós uma vez que se afastam na classe ao integrarem a dos répteis) o que significa que na escala evolutiva dos animais são relativamente próximas de nós. Mas concentremo-nos nos primatas, sobretudo naqueles que nos acompanham até ao nível da família dos hominidæ.




Entre os nossos primos em terceiro grau (separam-se de nós apenas a nível da família): os orangotangos existem duas espécies maiores Pongo pygmaeus e Pongo abelii, subdividindo-se a primeira em três sub-espécies: Pongo pygmaeus pygmaeus, Pongo pygmaeus morio e Pongo pygmaeus wurmbii. Entre os gorilas, nossos primos segundos (separam-se de nós apenas a nível da sub-família), existem duas sub-espécies: Gorilla gorilla e Gorilla beringei, cada uma destas dividindo-se, respectivamente em mais duas Gorilla gorilla gorilla e Gorilla gorilla diehli e Gorilla beringei beringei e Gorilla beringei graueri. Também entre os nossos primos direitos (separam-se de nós apenas na tribo), os chimpanzés existem duas sub-espécies maiores Pan troglodytes e Pan paniscus (o denominado bonobo), subdividindo-se a primeira em Pan troglodytes troglodytes, Pan troglodytes verus, Pan troglodytes vellerosus e Pan troglodytes schweinfurthii.

Seria hoje lícito, ou sequer imaginável, advogar a supressão de alguma destas sub-espécies e não defender por todos os meios disponíveis a sua continuidade? Seria imaginável mesmo num qualquer cenário “orwelliano” (infelizmente cada vez mais próximos de nós), a instigação a um conúbio (forçado ou voluntário) entre sub-espécies com o intuito de supressão de uma delas? Alguém o desejaria, ainda que Pan troglodytes verus e Pan troglodytes vellerosus de moto próprio “decidissem” empreender a miscigenação das suas subespécies conduzindo á extinção de uma delas ou de ambas, com o surgimento de um híbrido? Estou certo que a “humanidade” o evitaria por todos os meios e que os zoólogos o impediriam na certa. A resposta às questões parece-me, pois, igualmente evidente…

(continua)

Etiquetas: , ,

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA 2

Outro tanto se passa com os cavalos (do latim caballu), uma das sete espécies modernas do género Equus, membro dessa mesma família dos asnos e das zebras, a dos equídeos. Todos os sete membros existentes da família dos equídeos pertencentes ao género, Equus, podem relacionar-se e produzir híbridos, não férteis, as mulas. Os cavalos (Equus caballus), possuem por sua vez diversas “raças” ou espécies. Alter, Andaluz, Árabe, Berbere, Bolonhês, Bretão, Holsteiner, Oldenburgo, Percheron, Shire ou Sorraia, são apenas algumas das designações entre as mais comuns. Quererá alguém prescindir desta fabulosa diversidade em nome de uma padronização forçada de um tipo único de equus caballus? A defesa de um tipo deles, sua selecção e apuramento, acarretará algum malefício para as demais? A resposta parece-me evidente.

O mesmo é válido para o gado bovino, à excepção do toiro de lide, que foi quase generalizadamente domesticado transformando-se em gado doméstico, descende do auroque na Europa e do guar na Ásia (uma situação, como em muitas outras, em que o género actual depende de fósseis distintos da Pré-história), denominam-se genericamente de Bos taurus e subdividem-se em duas “raças” principais Bos taurus taurus e Bos taurus indicus (ambas com milhares de subespécies, da primeira - Alentejana, Angus, Barrosã, Charolês, Frísia, Limousin, Mertolenga, etc - e da segunda - Gir, Guzerat, Hariana, Nelore, Zebu, etc). Devido, desde logo, ao largo consumo da sua carne em diversas partes do mundo estaríamos disponíveis para abdicar desta diversidade? E o que dizer do que representam em termos culturais como elementos que traduzem especificidades de áreas regionais bem distintas e delimitadas? Creio que, uma vez mais, a resposta seria óbvia.

Parece, pois, começar a alinhavar-se a ideia de que, no que ao homem diz respeito, a preservação das demais espécies ou subespécies de animais é um valor inviolável, indiscutível e que todos os esforços empregues nessa mesma preservação são lícitos e desejáveis. Mas não estaremos muito longe dos domínios da Antropologia e mesmo da nossa ordem dos primatas? Sim, é certo, mas esta introdução era importante e decisiva para a continuação deste artigo (que se arrisca a uma maior extensão do que a inicialmente prevista).

(continua)


Etiquetas: , ,

REVISITANDO A ANTROPOLOGIA 1

Vivemos num mundo em que o interesse pelo reino animal, a que pertencemos, se vem constituindo como valor supremo – e bem. Não raras vezes a simples defesa de certas comunidades animais, postas em risco pelos avanços do progresso, são, frequentemente, motivo suficiente para impedir grande obras. A defesa das mais ínfimas espécies transformou-se, após décadas de delapidação, num valor do século XXI. E penso que a maioria dos animais Homem partilham esse esforço de defesa.
Desdobram-se governos, grupos de cidadãos, instituições, ONG’s, instituições internacionais e outras na defesa da preservação das espécies, muitas delas (senão a maioria) postas em risco pelo maior predador de todos – o animal Homem -, que talvez por essa razão, assume as devidas “culpas no cartório” expiando as suas falhas passadas, numa tentativa desesperada ultra-proteccionista. E sem dúvida que todas elas, as espécies e sub-espécies, são importantes e devem ser, naturalmente, preservadas. É esse o encanto, maravilha e mistério da diversidade do reino animal. Não cabendo a um deles – o Homem – o juízo sobre quais são ou não dispensáveis, sobre quais, úteis ou inúteis para a sua dieta, devem ser mais ou menos abundantes. É pois salutar o princípio e hábito de preservação da diversidade das espécies animais. Não apenas salutar é um dever que não deve ser comprometido e que deverá ser tarefa para o futuro.




Da defesa de animais mais ou menos selvagens, como, por exemplo, as tartarugas ou quaisquer outros animais marinhos os terrestres, à defesa das "raças" ou subespécies de animais domésticos como gatos ou cães,todos se envolvem num salutar esforço de preservação da diversidade.



E, em caso algum, a defesa de uma subespécie possui como objectivo primeiro, ou maior, a supressão das demais. Apenas a existência de ambas na salutar preservação das características identificativas que as tornam próprias, admiradas e dignas de apreço. Assim é com todos os animais. A existência de um clube de cultores dos Boxers visa apenas a manutenção, selecção e eventual apuramento dessa “raça”, nas características que lhe são identificativas e não a supressão ou sequer menorização dos Pastores alemães ou Mastins napolitanos. É algo, parece-me, evidente, pacífico e aceite.

(continua)

Etiquetas: , ,

20 junho 2007

O ANIMAL HOMEM, OU REVISITANDO A ANTROPOLOGIA

Complementando o título deste postal salvaguardo que não coloquei Antropologia Física, porque considero-o redundante (Antropologia provém do Grego: ἀνθρωπος, anthropos, "humano"; e λόγος, logos, "conhecimento/estudo"), ora se é o estudo ou conhecimento do homem é naturalmente esse o seu objecto e não realidades circundantes que mais correctamente pertencerão ao objecto da História, da Sociologia ou de qualquer outra ciência. B. Malinowski afirmava, e bem, que a distinção para as demais ciências humanas advinha do facto de incluir na sua especificidade as questões de ordem física, anatómicas e estruturais do homem, tratando-o como um organismo físico.

È pois sobre o Homem, enquanto animal que pretendo alinhavar as considerações que se seguem. No meu tempo de menino e moço (não tão longínquo, todavia, quanto o de Bernardim) a grande separação que existia entre o homem e os demais animais era o seu estatuto de racional. Assim aprendíamos nas Ciências e com tal explicação me fui contentando. A vida quis-me porém mostrar outras evidências: por um lado nem todos os homens são necessariamente racionais (creio mesmo que uma larga percentagem o não será) por outro comecei a assistir nalguns raros documentários de interesse que, quando em vez, aparecem nas nossas televisões programas sobre a inteligência em outros animais. Estavam, pois, irremediavelmente abaladas as fundações do edifício que com labor fora construindo nos anos de frequência da Azinhaga das Teresinhas…

Confesso que a minha paixão pelas Letras e a entrada na respectiva Faculdade me deixaram pouco espaço para as cogitações das Ciências da Natureza mas, mais que não fosse pela minha paixão (confesso, muito mal resolvida até hoje…) pela Arqueologia e pela Paleoantropologia, o interesse permanecia. Claro que com a Faculdade às questões meramente físicas se haveriam de juntar as filosóficas e outras que consolidariam, em definitivo, as convicções filosófico-políticas da criatura (descreio, aliás muito, de quem, passada essa idade de abandono de eventuais ilusões juvenis, muda diametralmente relativamente às convicções que possuía no término da sua formação como ser pensante… mas isso como diria o Povo, são contas de outro rosário).

Voltemos, pois, ao homem e seu papel no reino animal a que pertence. Relembrando uma elementar classificação científica do Homem dir-se-á:

Domínio Eucariota
Reino: Animal
Sub-reino: Metazoa
Filo: Cordados
Sub-filo: Vertebrados
Classe: Mamíferos
Sub-classe: Theria
Infra-classe: Placentários
Ordem: Primatas
Sub-ordem: Haplorríneos
Infra-ordem: Simiiformes
Parvordem: Catarríneos
Super-família: Hominoidea
Família: Hominidae
Sub-família: Homininae
Tribo: Homini
Género: Homo
Espécie: Homo sapiens

Um animal, portanto.

(continua)

Etiquetas: , ,

TERÁ VALIDO A PENA O ESFORÇO DE NOÉ...?

Uma espécie de prefácio ao postal que ando a preparar...

Etiquetas: , ,